13 de Maio de 2026 às 16:34

13 de Maio reforça luta antirracista e mobiliza categoria bancária para a Campanha Nacional

Lei Áurea

O dia 13 de maio, data que marca a assinatura da Lei Áurea em 1888 e o fim oficial da escravidão no Brasil, é lembrado pelo movimento negro como o Dia da Abolição Inacabada. A avaliação é de que o fim legal da escravidão não foi acompanhado de políticas de reparação social para a população negra, perpetuando desigualdades estruturais que seguem presentes na sociedade brasileira e no mundo do trabalho.

Hoje, movimentos sociais, pesquisadores e entidades sindicais defendem que o 13 de maio deve ser compreendido menos como uma comemoração e mais como um momento de reflexão crítica sobre o passado e, principalmente, sobre o presente das relações raciais no país.

Para o secretário de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar, o 13 de maio precisa ser ressignificado como um marco de luta permanente contra o racismo.

“A abolição aconteceu sem reparação histórica. Pessoas negras foram libertadas juridicamente, mas abandonadas socialmente. O racismo estrutural que vemos hoje no mercado de trabalho, nos salários e nas oportunidades é consequência direta desse processo. Por isso, o 13 de maio deve ser um dia de consciência, organização e luta por igualdade real.”

Segundo ele, o movimento sindical tem papel fundamental no enfrentamento das desigualdades raciais, especialmente na defesa de políticas de inclusão, promoção da diversidade e combate às discriminações nos ambientes de trabalho. “Combater o racismo não é apenas uma pauta identitária, é uma pauta de classe. Não existe justiça social sem igualdade racial.”

Reflexos no setor bancário

No setor bancário, os reflexos do racismo estrutural ainda aparecem de forma evidente nos índices de representatividade, remuneração e acesso a cargos de liderança. Diante desse cenário, o movimento sindical bancário mantém atuação permanente no combate ao racismo estrutural, promovendo debates, campanhas de conscientização e negociações coletivas voltadas à ampliação da representatividade negra, à igualdade salarial e ao acesso a oportunidades de crescimento profissional.

Em 2026, ano de Campanha Nacional dos Bancários, o tema ganha ainda mais relevância nas discussões da categoria. Desde 15 de abril está aberta a Consulta Nacional dos Bancários, instrumento por meio do qual trabalhadores e trabalhadoras podem enviar propostas e reivindicações para a construção da pauta nacional de negociações.

A coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, destaca que a luta antirracista precisa fazer parte das reivindicações da categoria.

“Falar do 13 de maio é reconhecer que a abolição da escravidão no Brasil foi incompleta e que o racismo estrutural ainda produz desigualdade, exclusão e falta de oportunidades. Por isso, o movimento sindical atua de forma permanente nessa pauta e, em ano de Campanha Nacional, é fundamental que a categoria participe da Consulta Nacional e apresente propostas para avançarmos em inclusão, igualdade salarial, representatividade e combate à discriminação no setor financeiro”, afirma Neiva.

Heranças da escravidão no mercado de trabalho

Mais de 130 anos após a assinatura da Lei Áurea, os indicadores do mercado de trabalho revelam a permanência das desigualdades raciais. Em 2025, a população negra representa cerca de 56,4% dos brasileiros, mas segue concentrada nos empregos mais precarizados, nos menores salários e nas ocupações de maior vulnerabilidade.

Embora sejam maioria na força de trabalho, trabalhadores negros continuam sub-representados em cargos de liderança, ocupando apenas cerca de 8% dessas posições. A desigualdade salarial também permanece: pessoas negras recebem, em média, entre 34% e 42% menos que trabalhadores brancos. Mesmo entre profissionais com ensino superior, a diferença salarial chega a 25%.

As mulheres negras seguem entre as mais afetadas pela desigualdade. Além de apresentarem as maiores taxas de desocupação, também registram os menores rendimentos médios do país, refletindo um processo histórico de exclusão social e econômica.

A precarização também se expressa nas jornadas exaustivas. Trabalhadores negros representam a maioria entre aqueles submetidos à escala 6x1, frequentemente associada a baixos salários e menor proteção social.

Por: SPBancários, CUT e Contraf


 

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