11 de Fevereiro de 2026 às 08:24
Saúde
O modelo de gestão pelo medo praticado pelos bancos tem o propósito de “humilhar, intimidar, ameaçar e punir os trabalhadores que não entram no modelo da servidão voluntária”. São atos de violência organizacional que provocam ansiedade e outros transtornos mentais, denuncia a psicóloga Ana Magnólia Mendes nesse segundo vídeo da série que ela gravou para apresentar o resultado da pesquisa sobre “Práticas de Gestão, Violência e Adoecimento pelo Trabalho em Instituições Financeiras”, que ela coordenou no segundo semestre de 2025 para a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN) e seus sindicatos filiados.
Referência nos estudos sobre trabalho e saúde mental, Ana Magnólia é professora titular do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora do Ibract (Instituto de Pesquisa e Estudos sobre o Trabalho). Realizada em parceria com os sindicatos filiados à Federação, a pesquisa procurou compreender as especificidades dos problemas de saúde dos trabalhadores do ramo financeiro na região Centro-Norte.
“A pesquisa foi ampla e contemplou tanto a dimensão quantitativa quanto a qualitativa, por intermédio das clínicas do trabalho com colegas já adoecidos. Nosso objetivo foi conhecer as realidades específicas da categoria na região Centro-Norte, que é diferente do restante do país. E a pesquisa mostrou que há diferenças em relação ao estudo realizado no ano passado pela Contraf-CUT”, explica Wadson Boaventura, secretário de Saúde e Condições de Trabalho da Fetec-CUT/CN.
“Os resultados principais da pesquisa são a ansiedade, o medo, o modelo de gestão pelo medo, a intimidação como principal ato de violência”, informa a psicóloga, referindo-se à enorme pressão e o assédio moral exercidos pelos bancos sobre bancários e bancárias em busca de metas abusivas e impossíveis de serem realizadas.
Ana Magnólia explica como funciona: “A intimidação é o dispositivo estratégico da gestão para produzir um aprisionamento do trabalhador por meio de ameaças, descomissionamento por exemplo, e outras ameaças de ser excluído, de passar por situações de constrangimento. Então, através de situações de humilhação em relação a não conseguir ser substituído pela máquina porque não trabalha como uma máquina. Discriminação com situações e rumores insidiosos, ou seja, atos de violência que são atos que se desdobram em assédio moral, assédio psicológico, um tipo de terror, a aterrorização que é ‘ah, você tem certeza que vai mesmo não fazer o que eu estou dizendo pra você fazer?’, ‘viu o que aconteceu com seu colega?’, ‘se você não faz você também vai passar pela mesma situação, você também será punido’, você também será colocado como um quadro emblemático de alguém que não foi capaz de atender, de obedecer, de entrar na servidão voluntária”.
Ou seja, conclui a psicóloga do trabalho, “a intimidação é uma estratégia de violência usada pelo modelo de gestão para humilhar, intimidar, ameaçar e punir os trabalhadores que não entram no modelo da servidão voluntária. Então, precisamos ficar atentos e fazer o combate desse tipo de ato de violência”.
Esse texto é o segundo de uma série. Na próxima semana, a Fetec-CUT/CN vai apresentar, sempre acompanhados de vídeos curtos, mais informações sobre os resultados da pesquisa da Federação Centro-Norte.
E no dia 24 de fevereiro a Fetec-CUT/CN fará uma live com a participação da professora Ana Magnólia, que vai conversar pessoalmente com os trabalhadores e trabalhadoras do ramo financeiro no Centro-Norte a respeito dos resultados da pesquisa e o combate às práticas de violência organizacional por parte dos bancos que levam a à epidemia de adoecimentos mentais que assola a categoria.
Por: Fetec-CUT/CN
Link: https://www.sindicario.com.br/noticias-gerais/psicologa-explica-como-a-gestao-pelo-medo-nos-bancos-provoca-ansiedade-e-outros-transtornos-mentais/