9 de Janeiro de 2026 às 10:59
Saúde
Mais um novo ano começa e com ele tem início uma importante campanha de conscientização: o Janeiro Branco, campanha que busca estimular a reflexão, o diálogo e o cuidado com a saúde mental. O Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região integra esse movimento, uma vez que o tema é uma preocupação permanente para a categoria.
Dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab) evidenciam a gravidade do cenário. Nos últimos dez anos, o número de afastamentos por transtornos mentais mais que dobrou. Em 2014, o INSS concedeu 221.127 benefícios previdenciários relacionados a esse tipo de adoecimento; em 2024, foram 471.649, um aumento de 113,3%. No setor bancário, a situação é ainda mais alarmante: o crescimento foi de 168% no mesmo período.
A rotina de trabalho no setor financeiro é conhecida por sua intensa pressão, metas abusivas e jornadas exaustivas. Esses fatores, somados à falta de condições adequadas de trabalho, são o cenário ideal para o adoecimento mental.
Para a presidenta do sindicato, Neide Rodrigues, a saúde mental é um fator primordial e o movimento sindical bancário tem lutado incansavelmente pela defesa da saúde da categoria.
“Nossa batalha hoje é para que os bancos reconheçam a gravidade do adoecimento mental no setor. Exigimos suporte psicológico digno e, acima de tudo, uma mudança estrutural no modelo de cobrança de metas. Saúde mental é um direito, e as instituições financeiras precisam respeitar a vida de quem faz o banco funcionar”, disse Neide Rodrigues.
A presidenta reforça que a atuação do sindicato vai além das mesas de negociação, abraçando o cuidado integral com o bancário: “Entendemos que a saúde mental também se constrói com lazer e convivência. Por isso, além de combatermos a pressão por metas, investimos em uma programação rica de atividades físicas e eventos sociais no nosso clube. Promover o esporte e a cultura é a nossa forma de oferecer ao bancário um contraponto à rotina exaustiva das agências”.
A Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que trata das Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, representa um avanço significativo para a saúde do trabalhador. A nova norma traz mudanças importantes, incluindo a exigência de que as empresas se atentem também aos riscos psicossociais. Isso significa que a saúde mental não poderá mais ser ignorada nos programas de prevenção e segurança do trabalho.
Em reunião em junho de 2025, entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários, os trabalhadores exigiram a participação direta na implementação da NR-1 - as empresas têm até maio de 2026 para implementar as mudanças.
"Não podemos aceitar que os bancos implementem normas de saúde e segurança sem a participação dos trabalhadores. Os dados mostram que as doenças mentais são a principal causa de afastamento dos bancários. Precisamos atuar nas causas reais do adoecimento, como a pressão por metas e o assédio, para garantir um ambiente de trabalho mais saudável", disse Neide Rodrigues, que é integrante do Comando e vice-presidente da Fetec-CUT/CN.
O Comando Nacional colocou entre os pressupostos à implementação da NR-1:
Por: Comunicação do SEEBCG-MS
Link: https://www.sindicario.com.br/noticias-gerais/janeiro-branco-acende-o-alerta-para-a-saude-mental-e-o-bem-estar-do-trabalhador-bancario/