18 de Agosto de 2026 às 20:12

Mobilização dos trabalhadores faz bancos recuarem de proposta de reajustes por faixas salariais

Negociação

Na oitava negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026, realizada nesta terça, 18 de agosto, a Fenaban (federação dos bancos) recuou da proposta de reajustes por faixas salariais e do congelamento do piso de ingresso para os novos bancários. Entretanto, não foi apresentada pelos banqueiros uma proposta com índice de reajuste para salários e demais verbas.

O recuo dos banqueiros ocorreu após pausa na negociação, depois do Comando Nacional dos Bancários trazer para a mesa de negociação o resultado das assembleias em todo o Brasil, que contaram com a participação de mais de 50 mil trabalhadores - onde 97% dos votantes rejeitaram a proposta dos bancos.

"Após a forte mobilização nacional da categoria em nossas assembleias e plenárias, eles recuaram em pontos cruciais. No entanto, o índice de reajuste ainda não foi apresentado e ficou prometido para a próxima segunda-feira, quando retornaremos à mesa. Por isso, conclamamos todas as bancárias e bancários a realizarem um grande ato no dia 20. É fundamental mostrarmos a nossa força e unidade nacional, pois é a mobilização da categoria que vai arrancar uma boa negociação dos bancos", disse a presidenta do Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região, Neide Rodrigues.

 
 
 
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Sob a alegação da boa-fé negocial, a Fenaban questionou a razão da paralisação do dia 20 de agosto, aprovada por 90% dos bancários nas assembleias.

Os bancos também pediram uma pausa ainda no início da rodada, que durou até às 16h. No retorno, disseram que só prosseguiriam com as negociações se a categoria desistisse das paralisações na quinta-feira (20).

O Comando Nacional recusou. “Esse ciclo que começou com as assembleias, na segunda-feira (17), e que levou à aprovação do dia nacional de paralisação, na próxima quinta, é o resultado da má vontade da Fenaban nesta mesa. É uma reação da categoria à falta de propostas por reajuste e melhores condições de trabalho”, destacou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta da Contraf-CUT.

O Comando Nacional também voltou a cobrar a garantia da ultratividade, que assegura que os direitos da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) continuem valendo mesmo após o fim do prazo de vigência, até que um novo acordo seja assinado. Porém, a Fenaban negou e ameaçou, mais uma vez, levar a negociação para o Tribunal Superior do Trabalho (TST).

“O fim da ultratividade foi um dos malefícios da reforma trabalhista de 2017, aprovada pelo Congresso Nacional, e teve como relator Rogério Marinho, hoje coordenador do programa de governo do candidato Flávio Bolsonaro. Importante que a categoria não reeleja os deputados que votam pela perda de direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores”, reforçou Juvandia Moreira.

Além de acabar com a ultratividade, a reforma trabalhista de 2017 atacou a organização sindical, permitiu a pejotização (que precariza empregos e retira os trabalhadores da proteção da convenção coletiva) e a terceirização para todas as atividades, que antes era restrita para atividades-meio (como vigilância e limpeza).

Após nova pausa a pedido dela mesma, a Fenaban retornou à mesa anunciando que as negociações serão retomadas na segunda-feira (24), porque terão uma reunião com todo o setor, na sexta (21), para alinhar a proposta global.

Dia nacional de paralisação: 20 de agosto

Nas rodadas anteriores o Comando cobrou também a suspensão das demissões no setor bancário, indenização adicional para encarecer as demissões, qualificação e requalificação dos trabalhadores. Embora tenha sinalizado positivamente a essas reivindicações, a Fenaban ainda não trouxe proposta concreta. “Por tudo isso, é importante que, nesta quinta-feira, 20 de agosto, tenhamos uma boa paralisação da categoria em todas as regiões”, reforçou Juvandia Moreira.

“Exigimos uma proposta decente, com aumento real, valorização da PLR, do VA e VR e do piso. Não sairemos desta campanha sem a justa valorização dos bancários, que construíram o lucro de R$ 171 bilhões dos bancos em 2025. Uma grande paralisação na quinta-feira 20 é fundamental para pressionar os banqueiros a apresentarem uma boa proposta na próxima negociação”, concluiu Neiva Ribeiro, também coordenadora do Comando Nacional e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Próximos passos

- 20/08: dia nacional de paralisação por aumento real e melhores condições de trabalho.
- 24/08: retomada das negociações entre Comando Nacional e Fenaban.

De olho nos números

- O patrimônio líquido do setor bancário atingiu, em 2025, o montante de R$ 1,2 trilhão.
- Enquanto o setor bancário fechava 88 mil postos e 9,5 mil agências, entre 2015 e 2025, os cinco maiores bancos aumentavam em 49% os contratos com correspondentes bancários, terceirizando seus serviços.
- A remuneração média anual dos altos executivos dos três maiores bancos privados chegará a R$ 12,5 milhões em 2026 — valor 120 vezes superior à remuneração anual de um escriturário (somando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR).
- Em 2025, foram realizadas 7,2 bilhões de transações em agências bancárias físicas, número que corresponde a uma média de aproximadamente 28,6 milhões de transações por dia útil.
- O lucro por empregado nos bancos é de R$ 438 mil, comprovando a alta rentabilidade gerada pelos bancários.
- Entre maio de 2025 e maio de 2026, 40% das bancárias e bancários usaram medicamentos controlados (antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes).
- Corte nas despesas com pessoal: Desde 2016, a folha de pagamento dos bancos caiu 7% (sem contar a PLR, a queda é de 11%).
- PLR: Em 1995, os bancos privados distribuíam um percentual de PLR que chegava a alcançar 14%; em 2025, distribuíram em média apenas 5,9%.

Entre os bancos públicos, os percentuais mudam. A Caixa, por exemplo, atingiu o teto de 15% de CCT, e Banco do Brasil se aproximou do índice, com distribuição de 11%.

Por: Contraf


 

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