23 de Março de 2026 às 17:12

COE Bradesco debate PPR, educação e condições de trabalho em reunião com o banco

Reivindicações

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco se reuniu com a direção do banco na última sexta-feira, 20 de março, para discutir uma série de temas de interesse dos trabalhadores, com destaque para o Programa de Participação nos Resultados (PPR), iniciativas de qualificação profissional e questões relacionadas às condições de trabalho.

Um dos principais pontos da reunião foi o debate sobre o programa de PPR “Supera”. A COE iniciou a discussão sobre a ampliação do programa, com a possibilidade de inclusão de novas áreas — Atacado, Wealth, Tesouraria e Pesquisa Econômica. Também foram tratadas questões relacionadas à renovação do acordo, assinado no ano passado.

Entre as reivindicações do movimento sindical estão o aumento do valor fixo do PRB (Programa de Remuneração Bradesco, criado em 2025 e atrelado ao novo PPR "Supera"), a redução do percentual de ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) exigido para o pagamento do PRB e a inclusão das bancárias em licença-maternidade no recebimento do “Supera”. Além disso, foram levantadas preocupações sobre o cumprimento de metas, o esvaziamento de carteiras e a transparência no acompanhamento do desempenho individual. O banco se comprometeu a analisar os pontos apresentados e dar retorno à comissão.

Auxílio Educação

Outro tema abordado foi a plataforma “Único Skill”, relacionada ao auxílio educação. A COE questionou o banco sobre informações divulgadas na mídia, e o Bradesco esclareceu que se trata de um projeto piloto iniciado em dezembro de 2025, com duração prevista até junho de 2026. A iniciativa oferece bolsas de estudo para cerca de 5 mil trabalhadores, sendo 2 mil da rede e 1,3 mil da área de tecnologia. Caso os resultados sejam positivos, o banco afirmou que poderá discutir a ampliação do programa com a comissão, inclusive com a possibilidade de inclusão em acordo coletivo.

Ponto eletrônico

A comissão também manifestou preocupação com a dispensa do controle de ponto eletrônico para um grupo específico de trabalhadores: os ocupantes do cargo de Gerente de Relacionamento Empresas, sob a justificativa de realização de trabalho externo. Para a COE, a medida é insegura e pode abrir margem para irregularidades. Com a implementação de um novo sistema que permite o registro de jornada via notebook, a representação dos trabalhadores solicitou a revisão da decisão. O banco informou que está avaliando o pedido.

Saúde

Durante a reunião, a COE ainda questionou o Bradesco sobre notícias relacionadas a mudanças no conglomerado de saúde do banco. A instituição esclareceu que as alterações não impactam os funcionários, seus benefícios ou a apólice da Bradesco Saúde, que permanecem inalterados.

Segundo o banco, houve uma reorganização estrutural com a consolidação dos negócios de saúde sob a Odontoprev, que passará a atuar como uma holding, sob o nome BradSaúde. A proposta é simplificar a gestão, aumentar a eficiência e criar um ecossistema integrado, reunindo operadoras de planos, hospitais, laboratórios e plataformas tecnológicas.

Demandas regionais

O representante da Fetec-CUT/CN na COE Bradesco, José dos Santos Brito, também apresentou demandas regionais, destacando:

  • Funcionários do segmento Classic estão focados em migrar clientes do analógico para o digital, portanto, não poderiam ter metas, porque o não cumprimento delas impacta diretamente no resultado da agência.
  • Os clientes de alta renda, que tinham capacidade para fazer o crédito rural, foram transferidos para a "Agência Principal", mas as metas do crédito rural das agências locais não foram reduzidas proporcionalmente.
  • Com o fim das equipes de cobrança, os gerentes agora precisam gastar tempo recuperando créditos vencidos em vez de focar em novos negócios.
  • O encerramento de agências superlotou as unidades remanescentes com novos clientes, folhas de pagamento e um grande volume de aposentados.
  • As metas de atendimento digital são atribuídas à unidade de origem do cliente, independentemente de qual agência realize efetivamente o serviço. 

Brito ainda reivindicou que as metas sejam compatíveis com o porte das agências, a realidade econômica de cada município e restritas aos segmentos PJ e Prime.

Para a coordenadora da COE Bradesco, Erica de Oliveira, o encontro foi importante para reforçar as pautas prioritárias da categoria.

“Seguimos cobrando avanços concretos do banco, especialmente em temas que impactam diretamente a vida dos trabalhadores, como remuneração, condições de trabalho e acesso à qualificação. Vimos com muito espanto a questão da Único Skill, pois o pagamento do auxílio educação é uma das nossas bandeiras de luta mais antigas, da qual nunca abrimos mão. E queremos participar de todas as etapas desse processo”, destacou.

Com informações da Contraf


 

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